O networking social conseguirá barrar os greenwashers?
Já ouviu falar nos "falsos ecológicos corporativos"? Fique atento para não confundir ações de sustentabilidade honestas de bobagens de marketing
Os ambientalistas alertam que os greenwashers ou 'falsos ecológicos corporativos' irão levar os consumidores saturados a abandonarem os esforços para comprar de modo responsável. No entanto, as pessoas podem lutar contra essa confusão e policiar o mercado utilizando ferramentas on-line, de acordo com o que disse Joel Makower, editor-executivo da GreenBiz.com. "Na era da Internet, da blogosfera e da mídia social, acho que os falsos ecologistas não vão conseguir ir muito longe ou que as empresas fraudulentas e que enganam os consumidores irão ganhar força".
Um Índice de Falsos Ecologistas do estilo da Wikipédia, administrado por uma empresa de marketing ambiental, convida a todos para fazer o upload de anúncios suspeitos. Grupos ecológicos já surgiram no MySpace e no Facebook. E um fluxo contínuo de novos blogs ecológicos continua a se unir ao grupo. O Flock, conhecido como o "navegador da web 2.0", lançará uma edição do Dia da Terra, que virá carregado com feeds de mídias ecológicas.
O mais notável, talvez, seja o surgimento de dezenas de sites "ecológicos", vários deles de veteranos da indústria da tecnologia, cujo objetivo é colocar pessoas de gostos semelhantes no mesmo lugar. Essas ações de networking social permitem que os usuários avaliem os produtos pessoalmente, oferecendo uma balança para pesar selos ecológicos e campanhas de publicidade.
"Quanto mais você entra no negócio da ecologia, mais se dá conta de que não há produtos mágicos que resolvem todos os problemas", disse Makower, que vê a mídia social como um auxílio para preencher a lacuna deixada pela falta de padrões para negócios ecológicos. "É possível ter um produto ecológico de uma empresa que esteja longe de ser perfeita e, se sim, o quão longe ela pode estar?"
Um dos sites mais populares que convidam usuários a responderem a essa pergunta é o Sustainlane, que já coletou mais de 20 mil listas de produtos e serviços geradas por usuários desde 2004. "Tantas pessoas diferentes possuem valores diferentes", disse Christine Volden, porta-voz da Sustainlane. "Alguém pode estar procurando o produto mais barato e outra pessoa pode dizer, 'meu problema não é o preço, quero o produto que seja melhor e mais seguro'. É possível encontrar uma pessoa que seja mais parecida com você".
O Alonovo, um site de classificação, permite que os usuários considerem as classificações de acordo com seus valores pessoais. Alguém poderia, por exemplo, customizar uma pontuação para refletir a preocupação com o tratamento humano de animais, em vez da utilização de produtos químicos tóxicos.
O cenário do networking ecológico e dos sites de notícias, independentes ou não, com certeza irá sofrer alterações à medida que alguns deixarem de existir e empresas maiores comprarem outros. No entanto, as ferramentas móveis que podem ajudar a fornecer as informações necessárias para que se tome uma decisão em uma loja estão apenas no começo. Semelhantes aos alertas de desastre natural enviados por celular, o Twitter ou o Facebook e várias novas ferramentas estão utilizando as mensagens de texto para informar os compradores.
O sistema de mensagens de texto da Amazon, o TextBuyIt, lançado na última semana, permite que as pessoas comparem as compras enquanto se movimentam pelos corredores da loja. O grupo de defesa do consumidor Healthy Toys oferece um serviço em que os compradores podem enviar o nome de um brinquedo por SMS e receber uma resposta descrevendo a possível presença de ingredientes tóxicos em níveis baixos, médios ou altos.
O serviço FishPhone, da entidade não lucrativa Blue Ocean, lançou no outono um serviço e página de Internet móvel que permitem que os usuários enviem o nome de um peixe por SMS e recebam uma resposta sobre as prováveis práticas de pesca e compostos químicos tóxicos potenciais da espécie. Em setembro, o Monterey Bay Aquarium lançou uma versão compatível com PDAs de seu guia de bolso de frutos do mar coletados de forma sustentável. Mas onde encontrar uma lista integrada de uma ampla série de produtos que possa ser usada em dispositivos móveis?
"Tem sido muito difícil desenvolver aplicativos para portáteis sem acarretar custos de criação dos quatro principais tipos de portas", disse Dara O'Rourke, professora-adjunta de ciências ambientais e política da UCB (Universidade da Califórnia em Berkeley). "Eles não simplificaram, motivo pelo qual a maioria das pessoas se concentra nos SMS".
O'Rourke e outros pesquisadores do Laboratório de Informações ao Consumidor da Berkeley vêm fazendo experiências com o protótipo de um serviço móvel que permitiria que os compradores ficassem preocupados com um código de barras e depois mostraria um menu de detalhes do produto.
No entanto, as dificuldades técnicas e o desafio de reunir dados de infinitas fontes prejudicam o desempenho de ferramentas móveis sofisticadas, afirmou O'Rourke. "Há uma grande lacuna de informações que está se tornando cada vez mais importante para os consumidores. No dia em que o iPhone foi lançado, sabíamos tudo sobre seus recursos. No entanto, provavelmente 99% das pessoas não tinha ideia de onde ele havia sido fabricado, quais os impactos ambientais que ele ou sua bateria trariam ou quais tinham sido os impactos sobre os trabalhadores".
E o conteúdo gerado por usuários pode retratar o valor e a sustentabilidade de um produto, mas esse conteúdo não pode existir em uma lacuna, ele acrescentou. "Há um papel muito importante para os dados básicos, não apenas as opiniões das pessoas, mas também informações fundamentadas na ciência e na avaliação da cadeia de suprimento".
Fonte: Agenda Sustentável (www.agendasustentavel.com.br)
13/10/2010







