terça-feira, 29 de junho de 2010

Imposto de renda em decisões judiciais

 

Assunto que atormenta muitos contribuintes é o recebimento de rendimentos pagos em virtude de decisão judicial, seja pela dúvida quanto à sua tributação ou não, seja pelo fato de que em alguns casos o pagamento é feito sem a retenção do imposto de renda na fonte. Estes casos são mais comuns na Justiça do Trabalho embora existam indenizações pagas por decisões da justiça comum.
Quanto às decisões da área trabalhista, são isentas do imposto sobre a renda as indenizações pagas por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido pela lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções homologados pela Justiça do Trabalho, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores e seus dependentes ou sucessores, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do FGTS.
Enquadra-se nesse conceito a indenização do tempo de serviço anterior à opção pelo FGTS, nos limites fixados na legislação trabalhista, quer seja ela percebida pelo próprio empregado ou por seus dependentes após o falecimento do assalariado.
O que exceder às verbas acima descritas será considerado pela Receita Federal como liberalidade do empregador e tributado como rendimento do trabalho assalariado. Quanto ao aviso prévio, apenas o não trabalhado é isento, sendo muito comum o engano de contribuintes que consideram o aviso prévio trabalhado como rendimentos isentos de imposto.
Já o IR sobre os rendimentos pagos em cumprimento de decisões judiciais de forma geral, inclusive no caso de honorários, deverá ser retido na fonte pela pessoa jurídica obrigada ao pagamento, no momento em que o rendimento se torne disponível para o beneficiário.
A retenção obedecerá às demais regras relativas à incidência na fonte do imposto, em conformidade com a personalidade jurídica da fonte pagadora e do beneficiário dos pagamentos e a natureza e o montante dos rendimentos, sendo o imposto calculado à alíquota de 1,5% sobre as importâncias pagas ou creditadas. Caso não haja retenção pela pessoa jurídica obrigada, o contribuinte somente será responsabilizado se não oferecer os rendimentos à tributação na época própria.

Fonte: Jornal do Brasil - Terça-feira, 29 de Junho de 2010.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Informe da Receita Federal - Vazamento de informações das declarações do Imposto de Renda

Sexta-feira, 25 de Junho de 2010.
Fonte: Receita Federal do Brasil |  Data: 24/6/2010

Em razão de notícia veiculada em 19 de junho de 2010, pelo jornal Folha de São Paulo, que aponta possível vazamento de informações das declarações do Imposto de Renda do contribuinte Eduardo Jorge Caldas Pereira, a Receita Federal tem a informar:
A Política de Segurança da Informação da Secretaria da Receita Federal do Brasil tem como pressuposto a garantia da confidencialidade, integridade e disponibilidade dos ativos de informação. Está em conformidade com as normas nacionais e internacionais de segurança.
Os ativos de informação são protegidos contra ações intencionais ou acidentais que impliquem perda, destruição, inserção, cópia, extração, alteração, uso e exposição indevidos.
A Receita Federal utiliza redes isoladas e criptografia em todo tráfego de informações.
O acesso ao ambiente informatizado da Receita Federal é restrito às pessoas autorizadas, mediante o uso de senha e de certificação digital, a partir da definição do tipo de perfil de acesso, em função das atribuições exercidas pelos servidores. Nem todo o corpo funcional possui acesso a informações protegidas por sigilo fiscal.
Todo acesso é monitorado e controlado, sendo possível identificar o usuário, data, hora, sistemas acessados, rotinas executadas e máquina utilizada.
As informações protegidas por sigilo fiscal somente são disponibilizadas para fora da Receita Federal nas hipóteses previstas em Lei e em todos os casos esse fornecimento é documentado e segue protocolo de segurança específico.
O acesso imotivado a informações sigilosas, ou seja, aquele que não tenha sido determinado por necessidade de serviço, e a divulgação de informação protegida por sigilo legal constituem infrações que sujeitam o autor a responsabilização administrativa, penal e civil.
O Secretário da Receita Federal determinou à Corregedoria-Geral do órgão a instauração de sindicância para apurar os fatos. A Corregedoria-Geral da Receita Federal é reconhecidamente modelo de eficiência na apuração de ilícitos funcionais no serviço público federal.
Se comprovado acesso imotivado, o responsável estará sujeito a penalidade de advertência ou suspensão de até noventa dias. Se comprovada a quebra do sigilo, o responsável estará sujeito a demissão e o caso será encaminhado ao Ministério Público Federal para adoção das medidas necessárias na esfera criminal.
Todas as notícias de vazamento de informações fiscais que possam envolver a Receita Federal são objeto de apuração imediata e rigorosa.

SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Maioria dos brasileiros não pretende viajar nas férias

Uma pesquisa da GfK, quarta maior empresa de pesquisa de mercado no Brasil e o quarto maior grupo mundial do setor, revela que a maioria dos brasileiros não tem intenção de viajar nas próximas férias. Realizado no Brasil em março deste ano, com mil pessoas com mais de 18 anos, o estudo aponta que 54% dos entrevistados não planejam gastos com viagem de férias.

Entre os que vão viajar, 90% não vão sair do país e terão pouco tempo para descanso. Apenas 7% afirmam que vão ficar mais de um mês fora; 26% terão duas semanas de lazer, 32% uma semana e 15% menos de uma semana. A maior parte dos viajantes diz que vai acompanhada da família e dos filhos: 53%; 17% vão viajar com o cônjuge ou parceiro, 14% com amigos e 10% vão sozinhos.

Consultados sobre o que pretendem fazer durante a viagem, 39% dos brasileiros dizem que vão aproveitar para relaxar, ler e jogar jogos; 30% para visitar amigos e parentes; 14% vão se divertir em bares e danceterias; 10% praticar esportes; 5% vão dedicar seu tempo de férias a atividades de voluntariado; e apenas 3% vão fazer compras.

Aliás, gastar muito não é a intenção dos brasileiros durante o recesso. O estudo mostra que os consultados que vão viajar pretendem gastar em média R$ 1,3 mil e 38% deles estão dispostos a desembolsar entre R$ 500 e R$ 3 mil.

Europeus e americanos também pretendem ficar em casa

Realizada também em 15 países da Europa e nos EUA, a sondagem mostra que, entre os entrevistados, 39% dizem que não vão gastar com viagem de lazer, sendo que os búlgaros são maioria: 71% afirmam que não vão viajar. Dos que pretendem viajar, os suíços são os que têm esta intenção mais presente (87%), em seguida estão os alemães (85%) e depois os belgas (77%).

Durante a viagem, 37% dizem que vão relaxar, ler e jogar; 27% conhecer um novo país, sua cultura e passear; 16% visitar família ou amigos; 15% se divertir em bares e danceterias e 14% conhecer a gastronomia local. Para 6% dos ouvidos, fazer compras é o passatempo preferido, e menos de 2% quer aprender uma nova habilidade ou um novo hobby.

É grande o número de entrevistados que vai ficar no seu próprio país: 65%. Esta característica está mais presente entre os turcos (95%), americanos (80%), poloneses (76%), húngaros (71%), portugueses (69%), italianos (66%) e franceses (60%). Entre os que desejam viajar para o exterior, 3% citam os países da América do Sul e a América Central, que são os destinos preferidos dos belgas (42%), holandeses (35%) e alemães (31%).

Assim como no Brasil, a maioria dos ouvidos entre europeus e americanos vai viajar com a família e os filhos (35%). Os que pretendem viajar com o cônjuge ou parceiro somam 34%, com amigos são 13% e sozinhos 10%.

Fonte: ClicRBS - ZH Dinheiro - Blog da Bella

Empresas têm 'calvário' para recuperar créditos tributários

SÃO PAULO - As empresas têm de enfrentar um "calvário" para ter de volta os créditos tributários obtidos com exportações.

A portaria do Ministério da Fazenda publicada na última semana para estimular o setor exportador pode diminuir o tempo de espera para o ressarcimento, mas exige que sejam cumpridas condições que já são vistas como difíceis de serem superadas.

A portaria 348, assinada pelo ministro Guido Mantega, instituiu procedimento especial para que as empresas tenham de volta créditos de PIS e Cofins decorrentes de operações de exportação, além de IPI decorrentes de aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero. Mas há um verdadeiro "calvário" de exigências às quais as empresas devem se adequar.

A constatação é do advogado Eduardo Barreto, do escritório Braga & Marafon Consultores e Advogados. "São tantos os requisitos impostos para as exportadoras que o universo de empresas que conseguirá recuperar os créditos será extremamente reduzido, para não dizer que será impossível reaver o crédito", afirma o advogado.

O artigo 2º da portaria 348 estabelece ao menos seis condições para que a Secretaria da Receita Federal efetue o pagamento. A empresa deve cumprir os requisitos de regularidade fiscal para o fornecimento de certidão negativa de débitos, não pode ter sido submetida ao regime especial de fiscalização nos 36 meses anteriores à apresentação do pedido de ressarcimento, deve ter efetuado exportações em todos os quatro anos-calendário anteriores ao do pedido - no segundo e terceiro anos-calendário anteriores, a média das exportações deve representar valor igual ou superior a 30% da receita bruta total - e, nos 24 meses anteriores à apresentação do pedido, não pode ter havido indeferimentos de pedidos de ressarcimento ou não-homologações de compensações, relativos a créditos de contribuição para o PIS/Pasep, de Cofins e de IPI, totalizando valor superior a 15% do montante solicitado ou declarado. Além disso, as empresas são obrigadas a manter Escrituração Fiscal Digital.

Pela portaria, a Receita tem 30 dias contados a partir da data do pedido de ressarcimento para pagar 50% do valor pleiteado. O advogado Danny Warchavsky Guedes, sócio do escritório Bastos-Tigre, Coelho da Rocha e Lopes Advogados, afirma que os obstáculos são contornáveis e que o fisco deverá fazer uma "força-tarefa" para avaliar todos os pedidos em até 30 dias. "O cumprimento dos requisitos deve facilitar o trabalho da Receita, que deverá presumir que a empresa tenha direito ao ressarcimento 'a jato'", afirma Guedes. Quem não cumprir as condições para o ressarcimento imediato terá o crédito devolvido em até cinco anos, prazo legal estipulado pelo Código Tributário Nacional. "O processo de restituição, de acordo com a disposição legal, deve ser feito em até cinco anos. Isso não muda, mesmo com a nova portaria."

Prioritário

Os advogados acreditam que a medida, primeira do pacote exportador a ser efetivada por instrumento legal, é benéfica. "A restituição prioritária dará um retorno imediato de caixa", afirma Danny Guedes. "Essa é uma forma que as empresas terão para escoar um acúmulo terrível de créditos", diz Barreto. O advogado lembra que muitas empresas possuem os créditos, que são vistos como uma moeda escritural, que não é dinheiro. "A empresa que não consegue abater esses créditos fica com um capital jogado fora", destaca o advogado.

Todas as empresas que vendem para o exterior têm direito ao crédito tributário pelo pagamento de impostos na compra de insumos da cadeia produtiva. Na saída dos produtos para exportação, é possível abater o valor dos impostos pagos na entrada por meio dos créditos. Como não há tributos na exportação, o empresário não teria como compensar o débito dos tributos, daí a necessidade da restituição.

Segundo a portaria, a Receita ainda vai editar normas complementares para a implementação do procedimento especial de ressarcimento de créditos. O advogado Eduardo Barreto afirma que são muitas as iniciativas em análise para estimular o setor exportador. "Mas falta vontade política", diz.

O estabelecido na portaria, publicada no dia 16 de junho, aplica-se aos pedidos de ressarcimento aos créditos apurados a partir de 1º de abril de 2010. "Muitas empresas já estão consultando o escritório para saber sobre a abrangência da medida e se elas cumprem os requisitos exigidos", afirma Eduardo Barreto.

Fonte: DCI |  Data: 23/6/2010

 

Receita aperta cerco aos 120 mil contribuintes mais ricos

A Receita Federal vai apertar a fiscalização sobre os 120 mil contribuintes pessoas físicas mais ricas do País. Pelo cronograma traçado até agora, a meta é abrir, em setembro próximo, uma delegacia especial para vasculhar as contas desse público. O posto, que contará com cerca de 60 fiscais, ficará sediado em Belo Horizonte e terá a missão de acompanhar todas as operações patrimoniais e financeiras com os CPFs dos ricos, inclusive com cartão de crédito, para averiguar movimentos atípicos com o intuito de ferir a legislação. No que depender do Fisco, todos terão o mesmo tratamento dispensado às grandes empresas.
Apesar de a Receita não detalhar o funcionamento da delegacia especial, a decisão - encabeçada pelo secretário Otacílio Cartaxo - já divide opiniões entre os especialistas quanto à sua eficácia. Para o tributarista Ilan Gorin, a medida segue a linha de aperfeiçoamento da fiscalização que a Receita promove há pelo menos dois anos, seja pela implantação de novas tecnologias ou pela revisão de procedimentos e normativos.
Gorin, no entanto, coloca em dúvida a efetividade de uma delegacia só para acompanhar grandes contribuintes.
"Não acredito que será muito útil. As pessoas físicas de maior renda não são as que pagam mais", afirmou. De acordo com o tributarista, se os contribuintes forem selecionados por patrimônio ou renda global, a lista pode ficar distorcida, pois eles pagam tributos de forma indireta. "Corre o risco da lista cair na classe média comum, que já é alvo de uma fiscalização maior", avaliou.
Já para o advogado tributarista do Centro de Orientação Fiscal (Cenofisco) Lázaro Rosa da Silva, a criação de uma delegacia especial para o grande contribuinte vem ao encontro das discussões em torno da taxação diferenciada para grandes fortunas, assunto que tramita no Senado Federal, atualmente. "Já passou da hora de algo assim ser realizado. Vai aumentar a eficiência da arrecadação e será bem-vindo", afirmou.
Na avaliação de Silva, o cálculo, a cobrança e a fiscalização de Imposto de Renda sobre a pessoa física seria mais eficiente se seguisse a mesma lógica adotada hoje para as pessoas jurídicas. Esses contribuintes são tributados de forma diferenciada, de acordo com o tipo e o porte do negócio.
"Para a pessoa jurídica você já divide entre lucro real, lucro presumido, lucro arbitrado e o Simples Nacional. Para a pessoa física, tributar e fiscalizar tudo junto é desrespeitar a capacidade contributiva de cada cidadão", afirmou.

Fonte: Jornal do Commercio RJ |  Data: 22/6/2010

terça-feira, 22 de junho de 2010

Educação financeira e férias: é possível usar o passeio para falar de dinheiro?

Por: Patricia Alves
22/06/10 - 17h47
InfoMoney


SÃO PAULO - Férias é sinônimo de descanso, passeio e diversão. Mas, para que tudo ocorra de acordo com o esperado, é importante um bom planejamento, inclusive financeiro, durante a viagem.

Será que o dinheiro vai ser suficiente? Se eu gastar isso agora, terei o valor necessário para o passeio de amanhã? Criar uma consciência financeira nas crianças e nos adolescentes, ensinando-os a administrar os gastos em uma viagem, pode ser uma forma até prazerosa de aliar a educação financeira com a diversão.

"A lição de controlar os gastos desde cedo é levada para o resto da vida", afirma o vice-presidente da Confidence Câmbio, Paulo Della Volpe.

Educação financeira
Em viagem com os pais, a tarefa de controlar os gastos geralmente fica com os responsáveis. Mas e quando os adolescentes partem para a "primeira aventura solo"?

Atenção a algumas dicas que podem ajudar na educação financeira dos filhos e a garantir a tranquilidade dos pais durante as férias:

  • Defina um valor de gastos diários – com uma estimativa de gastos fica mais fácil definir como levar o dinheiro.
  • Opte por meios de pagamentos seguros – em viagens internacionais, levar muito dinheiro em espécie não é muito seguro. Separe uma quantia em espécie e opte por cartões de crédito ou os pré-pagos de viagens. Estes últimos, inclusive, funcionam na função débito e permitem fazer saques em moeda estrangeira, sem o impacto da variação cambial.
  • Crie uma planilha de gastos – antes do embarque, ensine ao seu filho a rotina de controlar os gastos, anotando todas as despesas e descontando do montante. O objetivo é saber exatamente para onde vai o dinheiro e controlar o que sobra para os próximos dias.
  • Crie a consciência de prioridade – ensine que, se todo o dinheiro for gasto em um único item, não sobrará nada para outras despesas. Saber priorizar gastos e definir como e quando gastar pode fazer a diferença na hora de usar o dinheiro destinado ao passeio. Planejar é a palavra de ordem!

Controle mágico
Nas férias de meio de ano, por exemplo, um destino muito tradicional de adolescentes brasileiros em viagens desacompanhadas são os parques temáticos dos Estados Unidos e da Europa.

De olho nesse público, a Confidence Câmbio lançou a campanha "Magic Control", na qual oferece um guia com orientação para despesas, com dicas de consumo consciente e planilha de gastos. O objetivo é estimular o jovem a controlar os gastos no dia-a-dia, minimizando o risco de ficar sem dinheiro antes do previsto, além de incentivar a independência financeira em seus gastos no exterior.

A campanha é voltada para quem adquire o cartão pré-pago Confidence Travel Card (VTM). Segundo a empresa, a utilização do cartão, associada a uma planilha para controlar os gastos, permitirá que, de uma maneira simples e divertida, os jovens aprendam a administrar o dinheiro disponível para a viagem, com segurança e tranqüilidade. "Além disso, o VTM permite visualizar os saldos pela internet, o que também tranquiliza os pais, que podem acompanhar os gastos lá fora", completa o vice-presidente da empresa.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Herança em vida

Prática ainda pouco aceita entre famílias gaúchas, o inventário em vida pode reduzir em até 60% as despesas de herança.

A partilha fora do processo judicial traz vantagens. Os benefícios são garantidos em lei estadual desde 1º de abril.

O advogado de família Telmo Silveira explica que as alíquotas, antes progressivas e escalonadas em até 8%,

foram reduzidas para 3% para doação e 4% no caso de transmissão causa mortis.

O STF considerou inconstitucional a progressividade do tributo.

 

Fonte: Jornal Zero Hora, 21 de junho de 2010 - Informe Econômico - Maria Isabel Hammes, p. 18

sábado, 19 de junho de 2010

Utilize tudo que estiver em seu armário - Parece bobagem, mas é fato

Sobre as roupas

Utilize tudo que estiver em seu armário.

Tudo que contém nossa energia deve estar sempre em movimento, disse o mestre.

As roupas que você comprou fazem parte de você, e representam momentos especiais. Momentos em que você saiu de casa disposto a dar a si mesmo um presente, porque estava contente com o mundo. Momentos em que alguém lhe fez mal, e você precisava compensar aquilo. Momentos em que você achou que era necessário mudar de vida.

As roupas sempre transformam emoção em matéria. É uma das pontes entre o visível e o invisível.

Existem certas roupas que, inclusive, são capazes de fazer mal, porque foram feitas para outras pessoas, e terminaram parando em nossas mãos.

No momento em que se mexe com as roupas, já se está mexendo também com nossa maneira de estar no mundo.

Fonte: blog do mago brasileiro Paulo Coelho

http://colunas.g1.com.br/paulocoelho/

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Consciência Social - Leia que faz bem

Há dois tipos de idealistas no mundo. O primeiro grupo é composto de pessoas que querem ver um mundo melhor, acabar com as desigualdades, injustiças sociais e assim por diante.

Gastam tempo como voluntários, doam dinheiro para entidades beneficentes e se engajam em campanhas das mais diversas. Os americanos e europeus são
campeões nessa área com os Ted Turners, Packards e Georges Soros da vida doando bilhões de dólares.

O segundo grupo de idealistas é aquele composto de pessoas que querem fazer a mesma coisa, mas que nunca pagam a conta. São os chamados "idealistas-com-o-dinheiro-dos-outros".

Com o nosso dinheiro, para ser mais preciso. Você não participa das decisões, eles raramente prestam contas de para onde vai todo o dinheiro e os resultados estão aí, nossos problemas sociais se agravando.

Recentemente, assisti ao Seminário Contra a Pobreza, em que o governador Cristovam Buarque expôs suas idéias sobre como erradicar a pobreza. O plano era pagar às crianças pobres para que pudessem estudar e a conta seria de 30 bilhões de reais. Fiquei curioso em saber se o plano era consistente e quem iria pagar a conta caso houvesse inconsistência.

Não tive que esperar nem dois minutos pela resposta. O segundo debatedor, Luiz Inácio Lula da Silva, fuzilou uma inconsistência do plano: aluno com fome não aprende. Salvou-nos 30 bilhões de reais, ou acrescentou mais 6 bilhões de despesas em alimentação nos planos de Buarque. Ao longo do dia, outros três políticos e professores apresentaram soluções diversas para a pobreza do Brasil e no final da tarde a conta para o contribuinte brasileiro já chegava, pelos meus cálculos, a 120 bilhões de reais. É ilimitado o idealismo que se pode ter com o dinheiro dos outros.

O que é mais curioso é que nenhum dos planos apresentados abordou a geração de empregos, a única solução eficaz, a longo prazo, para o problema da pobreza do Brasil.

Há quem diga que a sociedade brasileira nunca fez filantropia com seu próprio dinheiro. Não somos uma nação cidadã. Por isso, o Estado tem de ocupar esse espaço vazio. Um argumento forte e infelizmente apropriado. Mas a alternativa também não deu certo, pois entregamos 30% do PIB ao Estado e muito pouco acaba sendo gasto no social.

A maior parte das despesas é com a aposentadoria de funcionários públicos, com salários públicos e com juros sobre a dívida pública. Não é à toa que 84% das pessoas acham que o governo poderia melhorar na área social (vide pesquisa no site filantropia.org).

Com a falência do Estado, surgiu recentemente o Terceiro Setor, que com muito menos dinheiro, fruto de doações e trabalho voluntário do setor privado (o segundo setor), está resolvendo os problemas com muito mais eficiência do que o governo (o primeiro setor). Mas ainda representa menos que 1% do PIB.

Como passar do estágio atual de paternalismo e idealismo do Estado, que consome 40% dos recursos, para uma sociedade civil organizada e preocupada com o social? Obviamente por etapas, a primeira sendo a volta da dedutibilidade do Imposto de Renda de todas as doações a entidades beneficentes atuantes e competentes do país, como já houve no passado.

Lentamente, faríamos filantropia com nosso dinheiro, criaríamos uma sociedade civil solidária e sem burocracia no meio. Assim, resolveríamos os problemas sociais com maior rapidez, com menor custo, e os contribuintes seriam os próprios fiscalizadores das entidades. As cartas de agradecimento iriam para quem as merecesse e não para políticos e burocratas que repassam o nosso dinheiro.

Então, geraríamos o círculo virtuoso da filantropia. Pequenos donativos no início e curtas cartas de agradecimento. Maiores donativos com o decorrer do tempo e com placas de reconhecimento em salas de aula e hospitais, por exemplo. Finalmente, teríamos enormes donativos, de heranças e fundações, com edifícios inteiros batizados com o nome do doador, como a maioria das faculdades e hospitais americanos. É só começar.

Stephen Charles Kanitz (São Paulo, 31 de janeiro de 1946) é um consultor de empresas e conferencista brasileiro, mestre em Administração de Empresas da Harvard Business School e bacharel em Contabilidade pela Universidade de São Paulo.

http://blog.kanitz.com.br/

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Os 10 tipos de líderes nesta Copa do Mundo

O Portal HSM traz uma matéria especial fazendo uma analogia entre os tipos de lideranças do mercado corporativo e os técnicos das seleções que disputam a Copa do Mundo 2010, a ser realizado na África do Sul. Confira! Em comemoração ao início do maior evento esportivo do mundo, contamos um pouco do perfil dos treinadores das seleções. Eles que são referências não só para o futebol, mas também para o mundo corporativo. Executivos, costumeiramente, citam as estratégias dos técnicos para direcionar, orientar ou incentivas suas equipes de trabalho.

Veja a seguir o estilo e as características de 10 treinadores de futebol que comandarão seleções na África do Sul (torneio disputado entre os dias: 11/06 e 11/07).

Dunga: convicto

Já começou a carreira como técnico de futebol da Seleção Brasileira. Muitos treinadores experientes almejam este cargo, mas, devido ao seu histórico, o credenciou ao posto. Após um início turbulento, de vários testes, formou um elenco com características competitivas. Preferiu convocar 23 jogadores ao qual gerou bastante polêmica no país, pois deixou alguns craques fora da lista final (Ronaldinho, Neymar, Paulo Henrique etc.). Tal atitude foi corajosa, e isso aumentou a perseguição da opinião pública em cima do jovem treinador. Suas convicções têm influência direta de sua experiência como ex-jogador de futebol. Aliás, foi capitão da conquista do tetracampeonato mundial em 1994, pela mesma Seleção Brasileira. Mesmo sabendo da grande responsabilidade manteve sua convicção para tentar conquistar o sexto título mundial para o Brasil.

Maradona: mito

Assim como Dunga, começou a carreira de técnico dirigindo a seleção de seu país. Para Maradona o desafio parece ser maior. Primeiramente, por que na Argentina é considerado o maior jogador futebol de todos os tempos (os argentinos o consideram melhor do que Pelé). Ao aceitar o desafio de dirigir os "hermanos", sabia que estava colocando o seu patamar de ídolo em cheque. E, realmente, isso aconteceu. Foi muito cobrado pelos torcedores e pela imprensa. Com Messi (o melhor jogador da atualidade), a Copa do Mundo é uma oportunidade para a sua "divindade" se eternizar.

Marcelo Bielsa: polêmico

O treinador é argentino e dirigiu o selecionado de seu país em duas Copas. E como todos outros que não ganham títulos, foi muito criticado. Bielsa, então, aceitou treinar o Chile. Está indo muito bem, pois era pouco provável que os chilenos carimbassem os seus passaportes para a África do Sul. Além de se classificar, ainda terminou a fase eliminatória em segundo lugar (atrás do Brasil e, melhor, à frente da Argentina). O treinador não cede à pressão, é um dos poucos que organiza a equipe com a formação 3-4-3 (três zagueiros, quatro meio-campistas e 3 atacantes). Além disso, o seu jeito excêntrico apimenta ainda mais a sua imagem. Caso classifique o Chile para a segunda fase, já terá cumprido a meta.

Fabio Capello: estrategista

O treinador italiano é famoso por ter treinado grandes equipes do futebol mundial: Roma (ITA), Juventus (ITA), Real Madrid (ESP), entre outros. Conquistou títulos por onde passou, sempre privilegiando a organização tática de seus times. Capello tem como característica formar equipes sólidas e compactas dentro de campo. Agora, à frente da Inglaterra, tem a missão de conquistar um título com uma seleção. Mesmo sem o principal jogador, David Beckham (machucado), ainda tem nas mãos grandes atletas. O grupo atual é considerado uma das melhores safras do país nos últimos tempos. Se repetir o seu histórico, pode ganhar o primeiro título como treinador de seleção.

Carlos Queiroz: estudioso

Ficou conhecido no início da década de 1990, quando dirigiu seleções juniores (atletas de até 20 anos de idade) e ganhou dois títulos mundiais da categoria. Em sua segunda passagem pela seleção portuguesa profissional, tem a difícil missão de dirigir uma equipe que foi comandada por Luiz Felipe Scolari (Felipão) – técnico com grande aceitação no país. Mas com dedicação na estruturação de suas equipes, pode fazer como grandes treinadores da história. Montar a equipe para jogar em torno de seu maior craque: Cristiano Ronaldo. Se souber explorar o que tem de melhor, pode surpreender na Copa do Mundo.

 Vicente Del Bosque: gestor de talentos

 Atualmente, existe uma unanimidade no futebol: a seleção da Espanha é a melhor do Mundo. Por outro lado, os especialistas afirmam: quando chega na Copa, os espanhóis sentem o peso da responsabilidade. Será que chegou a hora da história mudar? Ou será que os entendidos estão certos? Só o maior torneio esportivo responderá. O treinador pode seguir os ensinamentos deixados pelo experiente Luis Aragonés, que foi campeão da Eurocopa em 2008. Com Xavi, Iniesta, Fernando Torres, entre outros grandes jogadores, Vicente Del Bosque pode entrar para história do futebol mundial ao conquistar a primeira Copa para o seu país.

 Marcello Lippi: vencedor

 A Itália é atual campeã mundial de futebol – título conquistado em 2006. Naquela ocasião, era o mesmo treinador desta Copa do Mundo. Porém, Lippi, se despediu da seleção italiana após vencer. Ele deu lugar ao novato Donadoni (ex-jogador), que não foi bem. O experiente técnico aceitou voltar. Assim como na Copa passada, chega com sua seleção desacreditada – vindo de resultados fracos. Mas como é um vencedor nato, a opinião pública não ousa descartar o potencial de seu trabalho.

 Sven Göran Eriksson: globalizado

 Ele nasceu Suécia, trabalhou em equipes da Itália e Portugal. Foi treinador das seleções inglesa e mexicana – não foi muito bem nestas duas últimas. Está à frente da Costa do Marfim. A equipe, que tem como principal astro o atacante Drogba (do Chelsea – ING), disputará um grupo difícil (Brasil, Portugal e Coreia do Norte). A missão é difícil, mas para um treinador que já trabalhou em vários países diferentes pode colocar a sua experiência em campo.

 Joachim Low: seguidor

 Em 2006, era auxiliar-técnico de Jurgen Klinsmann. O treinador, após chegar em terceiro lugar, cedeu o posto ao seu companheiro para ser o técnico da Alemanha. Low mostrou que merecia o reconhecimento. Além de se classificar para a Copa, conquistou o vice-campeonato da Eurocopa 2008. A equipe alemã sempre faz boas participações em mundiais, e se repetir o feito, o técnico pode terminar a competição com prestígio.

 Carlos Alberto Parreira: referência

 Velho conhecido dos torcedores brasileiros, Parreira é o treinador que mais dirigiu seleções em Copas do Mundo: 6 vezes (Kuwait - 1982; Emirados Árabes - 1990; Brasil - 1994 e 2006; Arábia Saudita – 1998; África do Sul - 2010). Sua experiência, seus títulos e suas contribuições ao futebol são reconhecidos no mundo todo. Técnico do anfitrião da Copa, tem como difícil missão levar sua equipe à segunda fase. Se conseguir tal feito, aumentará ainda mais a visibilidade no mundo do futebol.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Devedores só começam a pagar 'Refis da crise' em fevereiro de 2011

Fonte: O Estado de S. Paulo |  Data: 7/6/2010

David Friedlander

Controvérsia. Criação do novo Refis, no ano passado, gerou críticas como a feita pelo deputado Paulo Rubens Santiago no plenário da Camara dos Deputados
Anistia na multa, redução de juros e até 180 meses para pagar. Parece promoção de eletrodomésticos, mas são as regras do "Refis da crise", o atual programa de renegociação de dívidas com a Receita Federal. O conjunto de vantagens já era compensador, a ponto de atrair 561 mil devedores de impostos. Mesmo assim, o programa vai ganhar mais uma facilidade: a primeira parcela da dívida ficou para ser paga no ano que vem.
A Receita ainda não fez a divulgação dessa data, mas ela já está prevista numa circular interna do Fisco à qual o Estado teve acesso. O documento diz que seria necessário um "investimento brutal" em tecnologia para que o Refis funcione do jeito que foi apresentado ao público. Ainda assim, o sistema só ficará pronto no fim do ano. Por isso, a previsão é que o parcelamento das dívidas só comece a ser pago em fevereiro de 2011, no caso das pessoas físicas, e em abril e maio, no caso das empresas.
"Esse ano ou ano e meio é necessário para fazer tudo com muito cuidado e não errar", afirma Marcelo Lins, coordenador-geral de arrecadação e cobrança da Receita. "Colocar no sistema os mais de 560 mil contribuintes que optaram pelo parcelamento exige uma logística maluca, um caminho muito longo."
Carência. Como a adesão ao Refis foi feita em novembro de 2008, na prática os devedores ganharam um ano e cinco meses de carência antes de começar a pagar o que devem. O benefício, no entanto, é imediato. A adesão ao Refis suspende as ações de cobrança da Receita e até processos por sonegação em curso na Justiça. Na iniciativa privada, costuma acontecer o contrário: antes de limpar o nome, é preciso retomar o pagamento.
"Sabendo que o início do parcelamento ia demorar, a gente fez alguns ajustes", afirma Lins, da Receita. "A parcela mínima deste programa já não será tão mínima."
A parcela mínima é uma espécie de taxa que os participantes do Refis precisam pagar todo mês, até que suas dívidas sejam calculadas e o parcelamento comece de fato. Pessoas físicas pagam R$ 50 e as empresas, R$ 100, para cada modalidade (tipo e situação) de débito. Fazendo isso, o devedor mantém a ficha limpa na Receita e na Justiça.
Foi assim que o deputado federal José Tatico (PTB-GO) suspendeu processos por sonegação contra ele na Justiça e cobranças na Receita. Dono de supermercados e fazendas, ele já foi autuado seis vezes pelo Fisco, ficou mais de dez anos sem pagar imposto e deve mais de R$ 260 milhões em tributos. Mas, em novembro do ano passado, Tatico entrou no Refis, passou a pagar R$ 1 mil por mês (ele deve vários impostos)e limpou sua ficha. Mas o pagamento da dívida, a grosso modo algo em torno de R$ 1,4 milhão por mês, só começará em abril de 2011.
"Desse jeito, até eu vou entrar no parcelamento", afirma Pedro Delarue, presidente do Sindifisco Nacional, a entidade que representa os auditores da Receita. "Esses programas punem o bom contribuinte e incentivam o sonegador."
Crise. Lançado no ano passado a pretexto de amenizar a situação de contribuintes afetados pela crise global, o Refis atual é o quarto programa do gênero lançado pelo governo desde 2000. Questionada, a Receita não soube informar se nas vezes anteriores o prazo entre a adesão ao programa e o início do pagamento da dívida foi tão longo quanto nesta edição. Extraoficialmente, auditores envolvidos nos programas anteriores dizem que não, mas também não sabem fornecer detalhes.
De acordo com uma mensagem circular distribuída aos superintendentes da Receita no mês passado, o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) não tinha condições de desenvolver um sistema para atender o programa sem investimentos pesados em infraestrutura. A entrega do sistema ficou para o fim do ano porque será preciso montar uma estrutura capaz de comportar um tráfego gigantesco de informações.
Desta vez entraram no programa um recorde de 561 mil devedores, totalizando mais de 1,2 milhão de pedidos de refinanciamento. Desse total, 343 mil são transferências de dívidas que já haviam sido renegociadas nos Refis anteriores. "Parece que há maus pagadores sempre à espera de um novo programa de parcelamento, que acaba vindo mesmo", afirma Paulo Ayres Barreto, professor associado da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).
O Refis em vigor é considerado tão generoso que até empresas saudáveis, como a CSN ou a AmBev, aderiram para limpar o balanço dos provisionamentos feitos em razão de pendências com o Fisco e, assim, aumentar o lucro.
"O sistema tributário brasileiro é muito distorcido", afirma Eurico Marcos Diniz de Santi, professor de direito tributário e coordenador do Núcleo de Estudos Fiscais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), de São Paulo. "O Fisco cria uma legislação confusa, incentiva as empresas a atuar na penumbra, autua e depois dá anistia. Essa engrenagem perversa mostra que já passou da hora de uma reforma tributária."

PARA ENTENDER
"Refis da crise" é o mais generoso de todos

Quarto programa de renegociação de dívidas tributárias lançado pelo governo desde 2000, o chamado "Refis da crise" é considerado o mais generoso de todos. O pacote inclui: abatimento de até 100% nas multas e nos encargos legais, redução de até 45% nos juros, 180 meses para pagar e a primeira parcela só será paga em 2011. Devedores que entraram num dos quatro Refis anteriores, mas não quitaram suas dívidas, podem transferir os débitos para o programa atual. Até novembro do ano passado, quando terminou o prazo de adesão, 561.915 devedores entraram no programa. Este mês eles precisam dizer à Receita Federal se vão refinanciar todos os seus débitos ou se continuarão contestando alguns. Só depois disso será possível saber quanto dinheiro está envolvido nessa história. No total, há hoje R$ 1,3 trilhão em fase de cobrança, na Justiça e na Receita

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Por trás do maior espetáculo da Terra: a Copa do Mundo

Numa competição dessa magnitude, não há sucesso possível sem um modelo de gestão empresarial competente, dinâmico, focado, multidisciplinar e atualizado. Leia mais.

Parece ter sido ontem a vitória da Itália sobre a França, nos pênaltis, na tensa final da Copa da Alemanha. E já vivemos, novamente, a euforia do maior evento de diversão e entretenimento do mundo, desta vez na África do Sul. Esta é a hora da verdade, da entrega, do show, e bilhões de pessoas acompanharão os 64 jogos entre as 32 seleções classificadas para a fase final do torneio.

Costumamos nos ater ao caráter esportivo e lúdico do certame patrocinado pela Fifa desde 1930. No entanto, para que ele aconteça, são mobilizadas milhares de pessoas e centenas de empresas, dos mais diversos segmentos. Trata-se sempre de um formidável esforço empreendedor. E, numa competição dessa magnitude, não há sucesso possível sem um modelo de gestão empresarial competente, dinâmico, focado, multidisciplinar e atualizado. Isso vale para os organizadores e também para as seleções participantes.

O Brasil, o maior vencedor de Copas do Mundo, tem histórias que podem ensinar um pouco sobre o assunto. Em 1950, por exemplo, o torneio foi realizado no Brasil. E nossa esquadra se classificou sem problemas para a final. Aí, armou-se nos bastidores a grande tragédia do Maracanã. Nos dias que antecederam a decisão, o clima foi de "já ganhou", e muitas personalidades públicas quiseram tomar carona no trem da fama dos futebolistas. Inúmeros eventos exauriram os jogadores naquele período.

Esse certamente foi um dos motivos da inesperada e dolorosa derrota para o Uruguai. Com o resultado de 1 x 2, perdemos a taça e um pouco da autoestima. Sentimo-nos um país de menores, de incompetentes, de fadados ao eterno fracasso. Ora, mas por que perdíamos justamente quando não podíamos perder?

Provavelmente, por falta de planejamento e de uma gestão disciplinada. Assim, em 1958, buscamos uma administração mais profissional do selecionado. Foi elaborado o "Plano Paulo Machado de Carvalho", denominação que remetia ao famoso empresário de comunicação e chefe da delegação. Funções foram definidas e delegadas. Definiu-se uma agenda de treinamentos. E um trabalho criterioso de condicionamento físico foi desenvolvido. Naquela ocasião, o Brasil se preparou para aliar o talento à organização. E deu certo! Com Pelé, Garrincha e o Doutor Paulo ganhamos a Copa da Suécia.

O líder do grupo foi até psicólogo na área de RH antes da final contra os donos da casa. O Brasil teve que jogar de azul. E para tranqüilizar os jogadores, o "Marechal da Vitória" disse que as camisas trariam sorte, por que tinham a cor do manto de Nossa Senhora Aparecida. Noutras ocasiões, a organização também foi vital ao triunfo. Vale relembrar a conquista da Copa dos EUA, em 1994. O técnico Parreira foi mais do que um especialista em estratégias de jogo. Agiu também como um manager, um gestor, capaz de gerir processos e produzir o resultado esperado.

Hoje, em sua maioridade, o futebol é fonte de negócios em vários segmentos. Grandes eventos alimentam empresas de construção, fabricantes de material esportivo, grupos de medicina privada, companhias de comunicação e profissionais das mais diversas áreas, da logística às finanças, do marketing à publicidade.

Pois, quando sobe um novo estádio, alguém precisa produzir concreto, ferro, vidro, plástico, tinta e até grama. São inúmeros segmentos mobilizados em conjunto para viabilizar a festa. Um trabalho realizado pela PricewaterhouseCoopers, divulgado recentemente, indica que a indústria do esporte tende a crescer bastante nos próximos anos. Em 2009, o volume de negócios atingiu a cifra de US$ 114 bilhões. E a previsão é de que alcance US$ 133 bilhões em 2013, um incremento médio de 3,8% ao ano.

O patrocínio esportivo, por exemplo, tem números que atestam a evolução do setor. Em 2009, as quotas negociadas totalizaram US$ 29,4 bilhões. Em 2013, essas ações devem movimentar US$ 35,2 bilhões. Paralelamente, as negociações associadas a direitos de transmissão televisiva e mídia devem saltar de U$ 23,1 bilhões para US$ 26,7 bilhões, nesse mesmo período de quatro anos.

O esporte é, portanto, hoje não somente uma área estratégica de negócios, como também um setor que produz experiências educativas de primeira linha para a área de gestão. É o caso de Ferran Soriano, que hoje faz palestras sobre sua gestão como vice presidente econômico do Barcelona.

Para alcançar padrão de excelência, portanto, os clubes e entidades necessitam recorrer às boas técnicas de gestão. Mas também é certo que os gestores aprenderão muito ao estudar as formulas de sucesso aplicadas ao esporte. A sorte, ou melhor, a bola, está lançada!

Por Carlos Alberto Júlio (Empresário, palestrante, professor e autor. Vice-presidente do conselho de administração da Tecnina e conselheiro da Camil Alimentos. E-mail: julio@carlosjulio.com.br

HSM Online
02/06/2010