terça-feira, 9 de outubro de 2012

Educação financeira não é só para gente grande

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Bárbara Ladeia (redacao.vocesa@abril.com.br)  24/09/2012

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Tudo começa com a frase mágica: Compra para mim? - Crédito: Thinkstock
Tudo começa com a frase mágica: Compra para mim?

Todos os pais e mães sabem que é preciso ensinar os filhos a cuidar do próprio dinheiro. No entanto, difícil é achar a hora certa de começar.

 

 

 

 

 

 

A bandeirada de largada na educação financeira é dada pela criança, segundo a educadora há 18 anos atuando com crianças, Cássia D'Aquino. Tudo começa com aquele pedido quase irresistível: compra para mim?

Pois bem, neste momento fica claro que a criança já sabe que os pais têm dinheiro e que ele é capaz de comprar coisas gostosas e divertidas. Desse ponto em diante, é responsabilidade dos pais ensinar que uma parte desse valor é para gastar, mas outra para guardar.

Iniciado o processo de educação financeira, a semanada é sugerida para crianças de até onze anos. Segundo Cássia, até essa idade a criança tem dificuldade em administrar seu dinheiro por um mês inteiro. "Depois disso, já é possível partir para a mesada. A partir dos 11 anos, a criança tem melhor abstração com relação ao tempo", explica.



segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Cursos pretendem reduzir processos de separação

DIVÓRCIO CONCILIADO

Cursos pretendem reduzir processos de separação

Por Marcos de Vasconcellos

A nova arma da Justiça para diminuir o ajuizamento de ações nos tribunais é um curso oferecido aos casais que estão se divorciando. O projeto, do Conselho Nacional de Justiça, já está em andamento há quase um ano na Bahia e no Distrito Federal e vem sendo incentivado em todo o país.

A ideia é dar aos casais ferramentas e confiança para que evitem levar a separação conjugal à Justiça e busquem a conciliação ou a mediação. Os juízes treinados pelo CNJ para dar as chamadas "oficinas de parentalidade" apontam que o divórcio não deve ser tratado como disputa ou vingança.

"É uma nova fase na vida do casal, uma continuação, pois continuarão sendo uma família, mas com uma formação diferente", explica o juiz Andre Gomma de Azevedo, da Bahia, que tem viajado pelo Brasil em nome do CNJ dando cursos para formar conciliadores e mediadores.

As oficinas são mais um passo no que Gomma chama de "transformação mais profunda dos últimos séculos" do Judiciário, que é sua popularização e, assim, a necessidade de desafogá-lo.

Um dos pontos destacados pelo juiz é que a autocomposição (conciliação ou mediação) não substitui o julgamento. Esse é um dos pontos-chave, segundo ele, para que juízes aceitem que haja conciliação e mediação nas varas em que trabalham. Como exemplo, o juiz cita a empresa que quer lucrar ludibriando o cliente: "O empresário que faz isso está errado e não quer arrumar uma solução melhor para os dois. Para isso, existe um juiz, que vai julgar a disputa entre esse sujeito e o cliente dele, pensando até mesmo no caráter punitivo da pena".

Convencer os juízes da necessidade de se implantar centros de mediação ou de conciliação é um dos grandes degraus a serem superados. A advogada Carla Boin, sócia da Basv advogados explica que, para instalar o setor de mediação das Varas de Família e Sucessão de Santo Amaro, foi preciso apresentar a cada juiz como o sistema poderia auxiliá-lo em seu trabalho.

"O sucesso da mediação não se mede em números de acordos, mas pela facilitação da solução do conflito entre aqueles que optam por dar uma chance à negociação", explica ela, que, no dia 3 de outubro lança livro falando sobre a experiência de Santo Amaro. A advogada diz admirar a iniciativa do CNJ, mas é contrária à avaliação feita pelo Conselho, que leva os números muito em conta.

O principal objetivo, diz ela, é a autonomia e responsabilização. "As pessoas passam a se sentir responsáveis e autônomas, pois não é um juiz que vai resolver quem está certo e quem está errado, mas os envolvidos que chegarão à melhor solução."

Carla aponta que, principalmente nas varas de família, cujas discussões estão "cercadas de emoções", é que as soluções extrajudiciais se mostram mais eficientes."Muitas vezes, processos de separação são movidos por vingança", conta.

O juiz Gomma de Azevedo explica que a ideia da conciliação e da mediação é mudar a forma de enfrentar o problema, mostrando pontos de vista positivos, que levam o casal à chamada "espiral produtiva". "Em vez de polarizar as partes e atribuir culpa, buscamos mostrar como elas podem construir novas normas para seguirem nesse novo momento, compartilhando o poder decisório", explica.

Marcos de Vasconcellos é repórter da revista Consultor Jurídico.