Empresário calcula que empresa montada em casa tem custo mínimo 40% menor.
Montar a empresa na própria casa é uma forma prática de trabalhar. Além de tudo, não se perde tempo e nem se gasta com transporte. Conheça as vantagens e os desafios de se montar um negócio dentro de casa.
É hora de acordar em um sobrado da Vila Madalena, em São Paulo. Depois de se vestir e arrumar a cama, o empresário inglês Tom Green, dono de uma loja de luminárias, começa o expediente.
“A gente tem clientes no atacado, redes varejistas e todo dia tem que ver pedidos que estão chegando. A gente tem que ver se vai entregar hoje ou amanhã, e checa os funcionários. Eu tiro os pedidos, eu passo para os funcionários e separo os pedidos”, diz Tom Green.
Tom mora e trabalha no mesmo lugar. O quarto e a cozinha estão na cobertura e A loja de luminárias fica no térreo. Enquanto adianta o serviço, a mulher dele, Norma Kikuti, prepara o primeiro chá do dia. Juntos, eles lêem as notícias e já se acostumaram com os funcionários passando pela casa.
Tom Green veio de Londres para o Brasil há 10 anos. Quando chegou, contava com cerca de R$ 100 mil e tinha um objetivo definido: criar e vender luminárias. O carro-chefe da loja é o modelo chamado lava-luz, inventado na Inglaterra em 1964.
“O modelo é feito com uma garrafa. Com conteúdo de parafina e água, vai esquentando com uma lâmpada comum, embaixo, até começar a se movimentar o conteúdo. Ele produz uns efeitos bem hipnóticos, terapêuticas também”, revela Tom.
Tom e Norma traçam metas para expandir o negócio. Eles já fornecem luminárias para 30 lojas de todo país e vão exportar para a Espanha até o final deste ano. Unir casa e trabalho foi uma estratégia para reduzir despesas. O empresário calcula que o custo da empresa, para eles, caiu no mínimo 40%. Além de economizar dinheiro, trabalhar em casa faz com que o dia renda mais.
“Você ganha tempo por não ter que ficar se deslocando o tempo inteiro. E você se envolve muito mais com o trabalho, dá mais concentração, assim também”, explica Norma.
Para separar o trabalho da hora de lazer, o casal criou uma regra. Às 20h, a loja fecha e ninguém mais fala em luminárias. “Temos que fazer um esforço grande. No final do expediente, a gente desliga as luzes, janta e não conversa sobre aquilo. A gente tem que ler um jornal, um livro, sai, vai assistir a um filme. Isso é bom para se tirar do ambiente do trabalho”, conta Tom.
Cecília Pini é outra empresária que resolveu trabalhar em casa. Ela montou uma escola de cartonagem. “Eu dou cursos, faço embalagens. É uma escola que ensina pequenos consertos nos livros até a encadernação propriamente dita. Tudo que se refere ao papelão”, conta.
A empresária montou a escola em casa há dois anos. Uma experiência que depois superou as expectativas de Cecília. No início, a empresa ocupava um pequeno espaço no porão da casa. Mas aí foi crescendo, e se expandiu até o andar térreo do imóvel. A escola usou a cozinha, que virou refeitório para os funcionários, e a sala de visitas, se transformou em sala de aula. Até que o espaço ficou pequeno de novo, e a empresa foi para cima. Lá, a empresa ocupou um quarto, que agora é um escritório. E a dona da casa ficou só com um quartinho, onde mora. Espremida num cantinho, a empresária se sente orgulhosa com o crescimento da empresa. Para ela, o único problema é a mistura da vida pessoal com a profissional.
“Eu estou sempre presente. Até demais. E, às vezes, passa até, chega domingo e você está trabalhando”, explica. O lado bom é que a empresa ganha eficiência. Cecília cuida melhor do negócio por estar na própria residência. E talvez seja esse um dos segredos da escola ter crescido tanto e tão rápido.
Outra vantagem é a redução drástica do investimento inicial. A empresária usou a mesma estrutura da casa. Para montar o negócio, ela investiu R$ 15 mil em maquinário e estoque. “Se eu fosse montar um ateliê fora da minha casa, eu gastaria o dobro de dinheiro e de tempo. Então, eu já tenho tudo isso junto, a casa e o ateliê”, observa.
A escola atende a 20 alunos por mês. O curso custa R$ 320, com oito horas de aulas durante quatro semanas. “Ao mesmo tempo em que ela tem uma facilidade para nos tratar dentro da casa dela, ela consegue colocar limites. Então, a gente fica muito à vontade e é muito bom”, afirma a aluna Marielisa Rosse.
A procura pelas aulas não para de crescer. E como só sobrou o quarto para a dona da casa, a ideia agora é aumentar o espaço construindo no quintal. “O que eu pretendo é ampliar o meu espaço de casa, para poder viver melhor. Daí, eu vou me acomodando conforme a dança”, aposta.
A Revista Pequenas Empresas e Grandes Negócios que está nas bancas traz uma reportagem especial sobre o assunto.
Fonte: http://pegntv.globo.com