segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A nova classe média brasileira!

A aluna Thayse Hoffmannn, do 3º ano do colégio Bom Conselho de Porto Alegre, foi uma das vencedoras do concurso RedAÇÃO ZH. Foi a 4ª edição do concurso promovido por Zero Hora e curso Unificado divulgado em maio de 2009. O tema é muito interessante. Vejam a qualidade da redação.

A nova classe média brasileira

A classe C brasileira representa mais da metade da população do país. O seu potencial de consumo, tanto econômico quanto cultural, é indiscutível. A chamada “nova classe média” brasileira tem consciência do seu poder econômico, porém não sabe investir seu dinheiro de maneira sensata. O Brasil está crescendo no aspecto econômico, mas como essa nova realidade social irá se sustentar sem que se fale no mais importante, a educação?

Uma série apresentada no programa “Fantástico” no início deste ano escolheu uma família para participar de uma espécie de “reality show” do lar brasileiro. Tipicamente brasileira, essa família morava num bairro e numa casa humildes, porém tinha uma vasta quantidade de eletroeletrônicos. As estatísticas comprovam: as classes C, D e E representam 70% do potencial de crescimento do setor eletrônico no país. O lar mostrado no programa não se preocupava muito em planejar suas finanças. Tinha dívidas, resultado do mau uso de seu dinheiro e também do crédito facilitado no Brasil, onde não se ter dinheiro não é sinônimo de não se poder comprar. As adolescentes dessa família estavam sempre bem arrumadas e com roupas da moda. Todavia, não eram quase vistas estudando. Isso é extremamente preocupante, já que os jovens dessa idade deveriam estar mais preocupados com o futuro. Não basta a família ter dinheiro e bens materiais se os filhos não tiverem acesso a uma boa educação, pois, sem estudo, dificilmente eles conseguirão manter um padrão de vida razoável no futuro.

Como se percebe, a classe C começou a emergir nos últimos anos e tudo ainda é novidade para essa parcela da população. Ela não sabe definir prioridades e quer ascender economicamente, mas pouco faz para isso acontecer. Prefere ir a jogos de futebol, a festas e a shoppings a buscar atividades culturais de qualidade. O país inteiro acaba se adaptando a essa nova realidade, pois o que se vê na televisão, por exemplo, são programas voltados para esse público, com uma linguagem mais coloquial, de fácil compreensão e com humor popular. Esse surgimento de uma classe média forte dentro do país é fruto de um governo paternalista, que dá resultados prontos sem ensinar um meio de obtê-los. Ou seja, é impossível falar em estabilidade social sem que haja uma conscientização das pessoas de que a educação é o melhor investimento que se pode fazer.

A classe média do Brasil quer se vestir bem, quer comer bem, quer estar por dentro das novidades e das tecnologias. Mas, acima de tudo, quer passar uma boa imagem e quer ter “status” social, ou seja, educação e saúde ficam em segundo plano. Porém, é certo que, se nada for feito para manter forte a nova classe média do Brasil, ela vai voltar a regredir, o que seria lamentável.

Thayse Vasconcelos Hoffmannn, 16 anos – Colégio Bom Conselho de Porto Alegre/RS - Fiquei entre os 300 finalistas no ano passado. E esse ano deu certo. O tema foi ótimo porque deu para fazer uma análise da sociedade. É o assunto que eu mais gosto. Entreguei o texto no último minuto. Fiquei três horas na sala fazendo a redação, mas saí satisfeita, achando que poderia ter chance. Queria muito ganhar a bolsa.

Nenhum comentário: