sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Sem pensar muito, para não sufocar a criatividade

Propaganda: O fundador da Talent escreve, de novo, para declarar seu amor à profissão.

Por Maria da Paz Trefaut, para o Valor, de São Paulo, 29/10/2009

"Fazer Acontecer.com.br" - Julio Ribeiro

Julio Ribeiro, sem nenhuma dúvida: "Toda grande empresa é resultado do sonho de algum insensato"
Ed. Saraiva 293 páginas, R$ 44

Não trabalhar para empresas de cigarros, bebidas destiladas ou para o governo foi uma decisão do publicitário Julio Ribeiro, há quase 30 anos, quando fundou a Talent. "Os três fazem mal à saúde", resume. As instalações que sua agência ocupa - um andar inteiro de um luxuoso edifício no Itaim, em São Paulo, contornado por janelas de alto a baixo -, deixam claro que o dinheiro que poderia ter advindo desses clientes não fez a menor falta. Já as convicções que Ribeiro desenvolveu sobre o exercício da propaganda deram substrato para o livro "Fazer Acontecer.com.br", que chega em novembro às livrarias.

O livro resulta de uma mixagem do "Fazer Acontecer" lançado em 1994, que vendeu 30 mil exemplares, com seis novos capítulos. Neles, Ribeiro discorre sobre o advento da internet, fala do aumento do poder de compra das mulheres e defende a teoria de que mais importante que tudo é sonhar. "Quanto mais estudo a história das empresas, mais percebo que toda grande empresa é resultado do sonho de algum insensato."

A avaliação que Ribeiro faz de risco e segurança, ousadia e medo tem sua própria história como fio condutor. Em 1980, ele deixou uma situação estável na MPM, na época a maior agência de propaganda da América Latina, para enfrentar o desafio de ter seu próprio negócio. Juntou-se aos sócios José Eustachio e Antonio Lino, e está com eles até hoje. Ganhou e perdeu clientes, teve tristezas momentâneas, mas nunca se desiludiu com a profissão. "Nunca me iludo a ponto de achar que uma conta é nossa para sempre. A conta é do cliente, ele a leva para onde quer."

No livro, Ribeiro fala não só de clientes fiéis, como os "japoneses criativos", personagens de anúncios da Semp Toshiba, empresa de origem brasileira que está com ele há 25 anos e com a qual fez alguns comerciais bastante conhecidos. Mas também cita outros clientes, que permaneceram menos tempo com a agência, para os quais fez campanhas igualmente memoráveis, como uma das mais populares e mais premiadas da agência, que deu origem ao bordão "não é nenhuma Brastemp".

"Fazer Acontecer.com.br" é uma espécie de declaração de amor à publicidade, na perspectiva de quem atravessou grande parte da vida tentando entender os desafios inerentes aos atos de comprar e vender. "Uma das minhas grandes alegrias é acompanhar o sucesso de um cliente, ser capaz de assessorá-lo de forma que ele cresça, em vez de simplesmente fazer propaganda."

De acordo com Ribeiro, não há publicidade que seja melhor do que o produto. Outra certeza: a propaganda é sempre a medida da empresa: "O brilho deslumbra, mas só a realidade aprisiona", sentencia.

Como acontece com todo publicitário, o que mais fascina Ribeiro é a mágica que cria o desejo da compra - ainda que dessa forma se esteja incentivando ainda mais o consumo num mundo em que, com frequência, as pessoas são levadas a comprar o que não precisam. "Na sociedade pós-consumo, nunca se venderam tantos automóveis, televisores, celulares e roupas para pessoas que já têm tudo isso", ele escreve em seu livro.

Marcas de luxo, como Chanel, Louis Vuitton ou Rolex, que sobrevivem a tudo por agregar um valor subjetivo, são exemplos claros dessa cultura de consumismo exacerbado. "A marca é um misto de mágica e de competência", diz Ribeiro. Exemplifica: "Minha mulher acha que os vestidos Chanel a deixam muito bonita, o homem que usa Louis Vuitton sente-se mais distinto do que os outros. As pessoas compram o privilégio de comprar coisas caras".

Esse perfil de consumidor existe entre seus próprios funcionários. Hoje, 70% dos cargos executivos estão com mulheres, que, pelo fato de trabalharem bastante, se dão ao direito de consumir sem culpa. "Vivemos uma nova fase do mercado, em que as mulheres estão entrando na faixa dos altos salários."

No dia a dia da agência, Ribeiro aplica premissas que, segundo ele, tornam o convívio e o ato de trabalhar bastante mais agradáveis. Na Talent, todos os funcionários têm participação nos lucros, até a copeira que serve cafezinho. O que garante, no mínimo, um 14º salário.

Numa época em que tanto se fala em "enxugar a máquina" e "otimizar recursos", Ribeiro diz que não compensa ter um funcionário que deixa de ir ao aniversário do filho para fazer um trabalho cujo resultado pode ser discutível. "O cliente compra talento, não horas extras. Não acredito em trabalho extenuante. Você pode virar a noite sem resultado e ter uma ótima ideia em dez minutos. Nunca tive uma inspiração sentado no computador, escrevendo, escrevendo, escrevendo." Há caminhos melhores: "Se você não pensa, resolve as coisas melhor. O pensamento é perverso, te atormenta a vida inteira com coisas que aconteceram na infância".

Quando a carga horária aperta (é presidente da Talent, da QG Propaganda e da CO.R Projetos de Inovação), Ribeiro paga pelo conforto. É capaz de alugar um jatinho para ir a uma reunião em Florianópolis e voltar a tempo de cumprir o expediente da tarde. "Sou executivo há mais de 40 anos, acho que mereço."

Entre um livro e outro (já escreveu quatro) e a vida de empresário, ele encontra tempo para o lazer. Faz ginástica, estuda piano, desenho, alemão. Uma de suas ambições é um dia alugar um teatro, juntar amigos e dar um concerto.

Aos 75 anos, Ribeiro diz ter aprendido que os desencantos são resultado da leitura que se faz da realidade. Há coisas que "não merecem nossa tristeza". Ficar velho, por exemplo, porque é irremediável. Não é algo que alguma crença religiosa possa resolver. "A religião torna a vida das pessoas tristes. Perdoar o quê? Ter piedade do quê? Não fiz nada..."

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Redes Sociais e produtividade!

Quanto custa para sua empresa o tempo gasto por seus funcionários em atividades não focadas no trabalho, com o uso de redes sociais como Twitter e Facebook?

A conta pode ser difícil, mas um estudo realizado pela empresa de TI britânica Morse aponta que as companhias do Reino Unido perdem 1,38 bilhão de libras (o equivalente a R$ 3,8 bilhões) ao ano por causa da queda de produtividade ligada ao uso de redes sociais.
O levantamento foi realizado com 1460 funcionários de escritórios, dos quais 57% disseram que acessam redes sociais durante o expediente.
A média semanal chega a 40 minutos para atualizar perfis no Facebook ou postar alguma mensagem no Twitter, o equivalente a uma semana de trabalho ao final de um ano.
Para a Morse, com o crescimento da popularidade de sites desse tipo nos últimos anos, aumentou também a tentação em acessá-los durante o horário de trabalho, o que tem gerado um “buraco negro” na produtividade das empresas.
Mas cada caso é um caso. A regra não é geral e depende da atividade de cada organização. Alguns ramos de atividade usam esses sites como ferramentas de negócios, e esse pode ser o motivo para que uma em cada cinco empresas norte-americanas permita seu uso para propósitos relacionados ao trabalho.
O fato inconteste é que as Redes Sociais e o Microblog Twitter invadiram as empresas de tal forma que elas devem tentar fazer deste limão uma limonada, usando o poder destas redes a favor das empresas e não correr o risco de “criar” um inimigo invisível e poderoso.
Simplesmente restringir o acesso a estes sites pode ser pior do que negociar o uso razoável desta nova onda que está apenas dando seus primeiros passos.
Achar um ponto de equilíbrio pode se tornar um diferencial competitivo, motivando o corpo funcional e melhorando a imagem pública da organização.
Como conviver com as Redes Sociais e a eventual queda na produtividade?
Eis aí outra questão que só o tempo poderá responder.

Fonte> RicardoOrlandini.net

sábado, 17 de outubro de 2009

Lição de uma jovem estudante a um famoso fumante!

“Caro Paulo Sant’Ana! Confesso que abro o jornal diariamente principalmente devido aos editoriais. Afinal, estou em vésperas de vestibular. Mas mal termino de ler os benditos textos e já estou nas palavras cruzadas e na tua coluna.

Esta quinta, dia 15, ao ler sobre o fumódromo reinaugurado, de repente me revoltei. Já havia lido outras vezes alguns comentários teus sobre o cigarro, mas nunca tomara a iniciativa de te escrever. Pois bem, senhor Sant’Ana, eu o abomino. Eu o abomino por esse seu vício e pelos seus comentários a favor dele. Isto é um absurdo!

Se eu tivesse algum poder dentro do Grupo RBS, não hesitaria em criar uma campanha intitulada ‘Todos contra o cigarro’, a exemplo da campanha contra o crack. E, obviamente, colocaria teu nome em pauta, afinal, tu és o fumante inveterado mais famoso que conheço, e és prova viva de que até mesmo as pessoas mais inteligentes podem ser, em alguns aspectos, extremamente tolas.

Detesto, odeio e recrimino todos os tipos de substâncias químicas que tiram as pessoas do seu estado natural. Ainda bem que estão sendo criadas leis para reprimir o tabagismo, mas não é suficiente. Tenho horror a fumódromos: parecem uma salinha masoquista, uma ‘sauna’ onde as pessoas vão para compartilhar fedor e poluição. Nas ruas, continuo levando baforadas fedorentas de fumaça direto no rosto, mas as boas maneiras me impedem de expressar minha indignação. Na verdade, pouco me importo com o estado de saúde das pessoas usuárias. Não estou nem aí para os teus pulmões, Sant’Ana. A tua tolice é que dita as escolhas referentes a ti, mas tu não podes e não tens o direito de poluir o ar que outras pessoas irão respirar. O fumante passivo é o que mais sofre com a fumaça emitida pelos cigarros. Onde está o respeito? Onde está a ética? Onde está a justiça? Onde está a sua inteligência, senhor Paulo?

Escrevo para te fazer um pedido simples, mas difícil. Parar de fumar. Ah, conheço teu sermão... és velho, um pobre coitado que já não espera muito da vida, solitário e que tem no tabaco um dos seus grandes amores. Um tanto poético. Mas uma grande falácia. Por acaso não tens espelho? Tu és o colunista mais famoso do Rio Grande, todos os gremistas se emocionam contigo, inclusive eu, e o Estado inteiro curte a tua excentricidade. Não há desculpa que explique o porquê de ainda estares apegado a esse vício.

Não irei apiedar-me de ti. Te peço, portanto, uma atitude final. Provas diante de todos os teus leitores e da sociedade gaúcha que és capaz de renascer das cinzas (literalmente) e que tens um espírito do tipo Ronaldo Nazário. Tira essa DROGA da tua vida. Exorciza-te se for preciso. E não escrevas nunca mais sobre o teu carinho por um fumódromo, por favor!

Com pesar e esperança, (as.) Bárbara Limberger Neddel, 16 anos, estudante. Frederico Westphalen – RS”.

* Texto publicado na página 55 de Zero Hora de hoje.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O país em que as PETs valem dinheiro

quinta feira, 08/10/09, por Marcela Buscato, Revista Época

Trocando minhas garrafas por euros. Não é difícil, não. A cara de compenetrada é porque a moça falava alemão e eu não
Manual de sobrevivência na Alemanha: cuidado para não invadir a ciclovia e ser atropelado por uma bicicleta (aconteceu comigo algumas vezes). Quando o moço da barraquinha perguntar se você quer o seu currywurst picante (o famoso salsichão), diga que não se o seu paladar e seu estômago forem delicados (aconteceu com uma amiga e eu aprendi a lição). E não jogue fora as garrafas plásticas (fiz isso algumas vezes). Elas valem dinheiro lá (euros!).

Essa foi uma das iniciativas mais legais que eu vi na Alemanha em relação a cuidados com o meio ambiente. Grande parte das garrafas plásticas usadas para armazenar água mineral, sucos e refrigerantes são retornáveis (como é comum com as de vidro. É só procurar na embalagem pela inscrição “Pfand”, que significa depósito). Funciona assim: quando você compra uma garrafa de água, por exemplo, tem de desembolsar um dinheiro extra. Algo como 25 centavos de euro ou 50 centavos de euro. Mas, da próxima vez que você for comprar outra garrafa de água, você não paga esses centavos a mais se devolver a embalagem antiga. Você até consegue pegar o dinheiro – em moedinhas mesmo – se devolver a garrafa e não quiser outra água. E dá para fazer isso em praticamente todos supermercados, vendinhas de esquina etc…

O melhor desse esquema é que, mesmo que alguém não se importe com o meio ambiente nem com dinheiro a menos no bolso e jogue a garrafa no chão, sempre tem quem ache que vale a pena recolher e pagar menos na próxima compra. É uma boa solução para incentivar a reciclagem de PETs, já que o material não é considerado tão atraente porque, quando reciclado, não pode ser usado para embalar comida ou bebidas. Tem de virar roupa, papel, enfeite – algo ainda pouco comum no mercado.

As garrafas plásticas retornáveis podem ser usadas novamente para armazenar bebidas porque têm sete camadas de plástico. Quando ela volta para a fábrica, a camada interna e a externa (com a qual o líquido e o consumidor entram em contato) são substituídas por camadas novas. Mas o núcleo, as outras cinco camadas, continua o mesmo. E a garrafa não vai parar no lixão, onde leva centenas de anos para desaparecer, mas sim na prateleira do supermercado. Não é uma idéia legal? E não é nenhuma novidade. Na Alemanha, pelo menos, já existe há muitos anos. Na Finlândia, vi o mesmo sistema funcionar.

No Brasil, as PETs recicláveis existem. Mas não se animem. Elas não são nada fáceis de encontrar. Infelizmente, representam uma fatia muito pequena do mercado. A Coca-Cola de 1,5 litro, por exemplo, pode ser encontrada nessa versão apenas no Distrito Federal e em algumas partes do Paraná e de São Paulo, segundo o gerente de embalagens da Coca-Cola, Paulo Villas. Eu nunca vi uma garrafa dessas. Se vi, não percebi porque ninguém me avisou. Alguém já viu propagandas e anúncios sobre isso?

Talvez o consumidor brasileiro ainda ache mais moderno a “novidade” dos descartáveis. Tenho de confessar que em alguns momentos eu também cansei de carregar uma garrafa o dia inteiro e a joguei no lixo (com a consciência pesada, mas joguei). Os alemães parecem ser muito mais contidos no seu uso da Terra. Guardam suas garrafinhas e não pegam sacolas plásticas no supermercado de jeito nenhum. Na maior parte das vezes, é preciso pagar para usá-las. Mas nem quando são gratuitas os alemães usam. Jogam tudo dentro da mochila. Vi uma mãe entulhar de compras um carrinho de bebê – com o bebê dentro. Mas, talvez por causa de pessoas como essa mãe, o bebê dela tenha um mundo menos quente e menos poluído para viver.

por Marcela Buscato, de Berlim, na Alemanha)

http://colunas.epoca.globo.com/planeta

O país em que as PETs valem dinheiro

O país em que as PETs valem dinheiro

qui, 08/10/09, por Marcela Buscato Revista Época - categoria Geral

Trocando minhas garrafas por euros. Não é difícil, não. A cara de compenetrada é porque a moça falava alemão e eu não
Manual de sobrevivência na Alemanha: cuidado para não invadir a ciclovia e ser atropelado por uma bicicleta (aconteceu comigo algumas vezes). Quando o moço da barraquinha perguntar se você quer o seu currywurst picante (o famoso salsichão), diga que não se o seu paladar e seu estômago forem delicados (aconteceu com uma amiga e eu aprendi a lição). E não jogue fora as garrafas plásticas (fiz isso algumas vezes). Elas valem dinheiro lá (euros!).

Essa foi uma das iniciativas mais legais que eu vi na Alemanha em relação a cuidados com o meio ambiente. Grande parte das garrafas plásticas usadas para armazenar água mineral, sucos e refrigerantes são retornáveis (como é comum com as de vidro. É só procurar na embalagem pela inscrição “Pfand”, que significa depósito). Funciona assim: quando você compra uma garrafa de água, por exemplo, tem de desembolsar um dinheiro extra. Algo como 25 centavos de euro ou 50 centavos de euro. Mas, da próxima vez que você for comprar outra garrafa de água, você não paga esses centavos a mais se devolver a embalagem antiga. Você até consegue pegar o dinheiro – em moedinhas mesmo – se devolver a garrafa e não quiser outra água. E dá para fazer isso em praticamente todos supermercados, vendinhas de esquina etc…

O melhor desse esquema é que, mesmo que alguém não se importe com o meio ambiente nem com dinheiro a menos no bolso e jogue a garrafa no chão, sempre tem quem ache que vale a pena recolher e pagar menos na próxima compra. É uma boa solução para incentivar a reciclagem de PETs, já que o material não é considerado tão atraente porque, quando reciclado, não pode ser usado para embalar comida ou bebidas. Tem de virar roupa, papel, enfeite – algo ainda pouco comum no mercado.

As garrafas plásticas retornáveis podem ser usadas novamente para armazenar bebidas porque têm sete camadas de plástico. Quando ela volta para a fábrica, a camada interna e a externa (com a qual o líquido e o consumidor entram em contato) são substituídas por camadas novas. Mas o núcleo, as outras cinco camadas, continua o mesmo. E a garrafa não vai parar no lixão, onde leva centenas de anos para desaparecer, mas sim na prateleira do supermercado. Não é uma idéia legal? E não é nenhuma novidade. Na Alemanha, pelo menos, já existe há muitos anos. Na Finlândia, vi o mesmo sistema funcionar.

No Brasil, as PETs recicláveis existem. Mas não se animem. Elas não são nada fáceis de encontrar. Infelizmente, representam uma fatia muito pequena do mercado. A Coca-Cola de 1,5 litro, por exemplo, pode ser encontrada nessa versão apenas no Distrito Federal e em algumas partes do Paraná e de São Paulo, segundo o gerente de embalagens da Coca-Cola, Paulo Villas. Eu nunca vi uma garrafa dessas. Se vi, não percebi porque ninguém me avisou. Alguém já viu propagandas e anúncios sobre isso?

Talvez o consumidor brasileiro ainda ache mais moderno a “novidade” dos descartáveis. Tenho de confessar que em alguns momentos eu também cansei de carregar uma garrafa o dia inteiro e a joguei no lixo (com a consciência pesada, mas joguei). Os alemães parecem ser muito mais contidos no seu uso da Terra. Guardam suas garrafinhas e não pegam sacolas plásticas no supermercado de jeito nenhum. Na maior parte das vezes, é preciso pagar para usá-las. Mas nem quando são gratuitas os alemães usam. Jogam tudo dentro da mochila. Vi uma mãe entulhar de compras um carrinho de bebê – com o bebê dentro. Mas, talvez por causa de pessoas como essa mãe, o bebê dela tenha um mundo menos quente e menos poluído para viver.

http://colunas.epoca.globo.com/planeta
Marcela Buscato, de Berlim, na Alemanha)

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Olimpíada da cegueira, por Paulo Sant'ana!

Há fatos do noticiário que a gente não entende. Esta de o presidente Lula declarar que confia que o povo brasileiro vai impedir que haja corrupção nas obras da Olimpíada do Rio de Janeiro é de cabo de esquadra.

Todos sabem que o povo não tem instrumentos para controlar ou impedir a corrupção, como é então que Lula declara isso?

Quer dizer, então, que o governo de então vai pagar aos empreiteiros a fortuna colossal para a construção de obras da Olimpíada e o encargo de fiscalizar para que não haja corrupção pertence ao povo brasileiro? Isso soa como uma brincadeira. Ou como escárnio.


***


Pelo menos, Lula é a primeira voz governamental que admite que vai haver corrupção... se o povo não fiscalizar.

Isso também qualquer criança de colégio sabe: vai haver corrupção. E da grossa. Da grossura do tamanho do que vão custar as obras, isto é, corrupção amazônica.

***

O Brasil quer realizar uma Olimpíada vestindo calça de veludo.

***

O Brasil vai gastar para fazer a Olimpíada igual fortuna que gastou o Egito para construir as pirâmides ainda existentes de Queóps, Quéfren e Miquerinos.

Com a diferença de que as três pirâmides vão atravessar a eternidade e as obras da Olimpíada do Rio de Janeiro vão desaparecer 15 dias depois como palavras ao vento.

***

Existe uma omissão colossal na Constituição brasileira: qualquer gasto que fosse superior a, digamos, R$ 50 bilhões tinha de ter autorização do Congresso.

No caso da Olimpíada, quatro vezes mais que aquele teto, qualquer governo só poderia gastar essa fortuna se fosse autorizado por um plebiscito.

Nenhum governo tem autoridade para gastar o que se vai gastar com a Olimpíada, ainda mais um governo que nem vai estar no poder quando do gasto.

***

Pelo menos aqui em Zero Hora não estou sozinho sendo contra a Olimpíada: o colega Flávio Tavares, que escreve aos domingos, também oferece inúmeras restrições básicas à iniciativa desastrosa.


***

E ainda se é obrigado a ouvir vozes concordinas que dizem que o Brasil ingressará no Primeiro Mundo quando realizar a Olimpíada.

Não sabem que o Brasil pode realizar mil olimpíadas mas só entrará para o Primeiro Mundo quando tiver vagas nos hospitais para seus filhos idôneos e vagas nos presídios para os inidôneos.


***

A garota Franciele Cunha Brandão, residente à Rua Fernando Abott 715, POA, com 22 anos de idade, tem glaucoma desde que nasceu.

Já perdeu um olho a pobrezinha, está devagarinho perdendo o outro.

O SUS de Porto Alegre declara que não há aqui em nossa cidade nem médico nem equipamento para salvar a menina da cegueira que assim se torna inevitável.

Há tratamento para o olho dessa menina em Goiás e talvez São Paulo. Mas o SUS não move há nove anos uma palha para tentar a cura da doença que fará na tenra idade uma garota ficar cega.

Não movem uma palha, os pusilânimes.

E ainda há gente querendo fazer Olimpíada no Brasil.

Era o caso de os partidos aliados do governo federal, por seus parlamentares, convocarem o presidente Lula a salvar essa menina.

Salvem-na ou não durmam direito até o fim de seus dias os que podem salvá-la e se omitem!

Olimpíada no Rio? Que desaforo!

Jornal Zero Hora, 06/10/2009

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Parabéns e feliz aniversário!

Quarenta e seis anos hoje, 5 de outubro. Saúde e paz já está de bom tamanho. Chegou a fazer 32ºC aqui em Porto Alegre hoje. Lá pelas 17h, bateu um ventão de 100 k/h e depois chuvarada. Agora está calmo mas o tempo se armou de fato.