“Caro Paulo Sant’Ana! Confesso que abro o jornal diariamente principalmente devido aos editoriais. Afinal, estou em vésperas de vestibular. Mas mal termino de ler os benditos textos e já estou nas palavras cruzadas e na tua coluna.
Esta quinta, dia 15, ao ler sobre o fumódromo reinaugurado, de repente me revoltei. Já havia lido outras vezes alguns comentários teus sobre o cigarro, mas nunca tomara a iniciativa de te escrever. Pois bem, senhor Sant’Ana, eu o abomino. Eu o abomino por esse seu vício e pelos seus comentários a favor dele. Isto é um absurdo!
Se eu tivesse algum poder dentro do Grupo RBS, não hesitaria em criar uma campanha intitulada ‘Todos contra o cigarro’, a exemplo da campanha contra o crack. E, obviamente, colocaria teu nome em pauta, afinal, tu és o fumante inveterado mais famoso que conheço, e és prova viva de que até mesmo as pessoas mais inteligentes podem ser, em alguns aspectos, extremamente tolas.
Detesto, odeio e recrimino todos os tipos de substâncias químicas que tiram as pessoas do seu estado natural. Ainda bem que estão sendo criadas leis para reprimir o tabagismo, mas não é suficiente. Tenho horror a fumódromos: parecem uma salinha masoquista, uma ‘sauna’ onde as pessoas vão para compartilhar fedor e poluição. Nas ruas, continuo levando baforadas fedorentas de fumaça direto no rosto, mas as boas maneiras me impedem de expressar minha indignação. Na verdade, pouco me importo com o estado de saúde das pessoas usuárias. Não estou nem aí para os teus pulmões, Sant’Ana. A tua tolice é que dita as escolhas referentes a ti, mas tu não podes e não tens o direito de poluir o ar que outras pessoas irão respirar. O fumante passivo é o que mais sofre com a fumaça emitida pelos cigarros. Onde está o respeito? Onde está a ética? Onde está a justiça? Onde está a sua inteligência, senhor Paulo?
Escrevo para te fazer um pedido simples, mas difícil. Parar de fumar. Ah, conheço teu sermão... és velho, um pobre coitado que já não espera muito da vida, solitário e que tem no tabaco um dos seus grandes amores. Um tanto poético. Mas uma grande falácia. Por acaso não tens espelho? Tu és o colunista mais famoso do Rio Grande, todos os gremistas se emocionam contigo, inclusive eu, e o Estado inteiro curte a tua excentricidade. Não há desculpa que explique o porquê de ainda estares apegado a esse vício.
Não irei apiedar-me de ti. Te peço, portanto, uma atitude final. Provas diante de todos os teus leitores e da sociedade gaúcha que és capaz de renascer das cinzas (literalmente) e que tens um espírito do tipo Ronaldo Nazário. Tira essa DROGA da tua vida. Exorciza-te se for preciso. E não escrevas nunca mais sobre o teu carinho por um fumódromo, por favor!
Com pesar e esperança, (as.) Bárbara Limberger Neddel, 16 anos, estudante. Frederico Westphalen – RS”.
* Texto publicado na página 55 de Zero Hora de hoje.
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