terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O segredo do sucesso de Taiwan

Por Kenichi Ohmae

Kenichi Ohmae explica como as empresas do país conseguiram chegar ao topo do mercado mesmo tendo entrado no jogo com décadas de atraso.
Para dar exemplos de quem ganhou espaço nesse momento de crise e incertezas do mercado, o professor Kenichi Ohmae comentou a respeito de empresas de Taiwan. As companhias do país compreenderam rapidamente as novas regras do mercado e, mesmo entrando relativamente atrasadas no jogo, já ocupam posição de destaque diante da concorrência e derrubam marcas que demoraram décadas e muitos milhões de dólares para criar uma identidade.

As maiores empresas do país são, em sua maioria, de fabricação de serviços eletrônicos ou fabricantes de projetos originais. Nesse segmento, entre as 20 líderes de vendas no mundo, 12 são taiwanesas. Além disso, são líderes no share global de fabricantes de placas-mãe, notebooks, monitores LCD, entre outros itens. Não à toa, o país é o segundo maior é o que mais contribui para as exportações chinesas depois da própria China. São 33 empresas responsáveis por um montante de US$ 71,2 bilhões.

Um grande exemplo de sucesso desse modelo de negócio e de adaptação à nova realidade é a Honhai. Pouco conhecida por seu nome, a empresa é a responsável pelo desenvolvimento e a fabricação, entre outros itens, do iPod, o famoso tocador de mp3 criado pela Apple. A Honhai centraliza a aquisição da matéria-prima de países como Japão, Estados Unidos e Coréia do Sul para produzir o aparelho em uma fábrica terceirizada em Shenzhen, na China. Além da Apple, a empresa tem parceiros como Hewlett-Packard, Cusci Systems, Lenovo, Motorola, Nintendo, Nokia e Sony, o que a tornou em uma das maiores empresas de eletrônica do mundo.

Outro exemplo do país que muito em breve será líder de mercado é a Acer. A empresa se tornou a terceira maior fabricante de microcomputadores no mundo ao adquirir a Gateway em 2007 e até 2010 se tornará a primeira. Isso significa superar a HP, responsável por 20,2% do mercado.

O segredo taiwanês, explica Ohmae, é conhecer muito bem o mercado de trabalho nos seus vizinhos e falar três idiomas. “O inglês para vender, o japonês para comprar e o mandarim para produzir”, comentou. Os empresários locais aprenderam também que componentes eletrônicos viraram commodities e deixaram de ser fontes de diferenciação. Um exemplo disso, diz o palestrante, é a Vizio.

Hoje, a marca lidera o mercado de televisões de LCD na América do Norte, depois de deixar para trás gigantes como Samsung, Sony, LG e Sharp. “Simplesmente não há mais a diferença de qualidade que existia décadas atrás, entre aparelhos de marcas como a Sony para as concorrentes. E sabendo que não existe diferença, o consumidor vai sempre preferir comprar uma tevê maior por um preço mais barato”, pontuou.

HSM Online
01/12/2009

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