quinta-feira, 8 de abril de 2010

Cariocas sofrem calados com a violência urbana

Enviado por Jorge Antonio Barros
 
Essa não precisa nem ser especialista. Basta chover que os guardas de trânsito somem das ruas. Isso acontece desde que me entendo por gente. Já acontecia quando o trânsito era responsabilidade da Polícia Militar. Agora com a Guarda Municipal não poderia ser diferente. A ausência de guardas municipais e operadores de trânsito nos principais cruzamentos do Centro, na fatídica noite do temporal que atingiu o Rio, foi o bastante para que o trânsito desse um nó que só foi desatado no dia seguinte. Foi o dia em que uma parte da cidade parou e um engarrafamento varou a noite. Às 4h da manhã eu recebia telefonemas de leitores presos no engarrafamento. Com outros colegas da editoria Rio, fiquei ilhado na redação do jornal, de onde só pude sair no dia seguinte para a estação de metrô mais próxima.

Eu e mais uma colega bem que tentamos o caminho da Quinta da Boa Vista. Passamos por uma lagoa na rodoviária, mas fomos obrigados a parar após descer do viaduto de São Cristóvão. A rua estava tomada por um rio nas proximidades do 4o Batalhão da PM (São Cristóvão). Talvez isso tenha dificultado a saída dos policiais daquela unidade. Mas que eu saiba os batalhões de Copacabana (19o) e Leblon (23o) não tiveram qualquer problema desse tipo. Como decidi sair com carro do jornal para tentar conseguir um lanche para os colegas obrigados a passar a noite na redação, verifiquei in loco que, na noite do temporal, boa parte da Zona Sul ficou praticamente sem policiamento ostensivo. A única radiopatrulha que avistei, às 5h, estava parada na calçada em frente ao Copacabana Palace Hotel. Se a Zona Sul, que é sempre bem policiada estava assim, imagino como tenha sido a situação na Zona Norte da cidade.

Para piorar o quadro de tensão faltou luz no Aterro do Flamengo e num bom trecho da Praia de Botafogo. O resultado não poderia ter sido outro: a noite em que o Rio parou foi também a que registrou uma avalance de arrastões que jamais será totalmente dimensionada porque as vítimas não gostam de ir à delegacia prestar queixa. Entre as áreas mais atacadas estavam trechos da Autoestrada Lagoa-Barra, perto da Rocinha, pistas das linhas Vermelha e Amarela, avenidas Brasil, Maracanã e acessos ao Alto da Boa Vista.

Perto das estações do metrô, onde o movimento de passageiros foi recorde, também havia pivetes atacando pedestres sem qualquer chance de defesa. Foi assim na estação do metrô da Carioca, por exemplo.

O mais grave de tudo é que infelizmente os cariocas já se habituaram a sofrer calados com a violência urbana. Ninguém dá mais um pio. Essa é a mostra definitiva de que estamos bem longe de  melhorar essa situação, apesar de alguns indicadores positivos.

Minha satisfação foi fazer o pequeno infográfico que está na capa do GLOBO de hoje com a informação de que uma das coisas que não funcionou foi o policiamento ostensivo.

Leia a matéria do GLOBO sobre a noite de arrastões durante o temporal.

Nenhum comentário: