segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Ouro e Ibovespa são os únicos investimentos que não perderam da inflação no mês

Por: Equipe InfoMoney
28/02/11 - 21h10
InfoMoney

SÃO PAULO – Ao cenário de preocupações com a inflação nos países emergentes - incluindo o Brasil - e indicadores econômicos ainda pouco animadores na Europa e nos Estados Unidos, os mercados tiveram ainda que digerir em fevereiro a maior aversão ao risco por parte das manifestações populares contra governos ditatoriais em países que são fundamentais no mercado global de petróleo, como Egito e Líbia. E foi neste cenário de alta das commodities e maior aversão ao risco que o ouro conquistou no segundo mês de 2011 o posto de melhor investimento entre as principais métricas do mercado de capitais brasileiro.

No mês, a cotação da commodity na BM&F Bovespa acumulou valorização nominal de 5,52%. Em seguida aparece o Ibovespa, que devolveu parte das perdas acumuladas no primeiro mês do ano e no mês acumulou ganho nominal de 1,22%. Estas foram as duas únicas aplicações que tiveram retorno real (descontado da inflação) no período.

Entre as principais aplicações de renda fixa, a caderneta de poupança foi a de pior desempenho, com remuneração de 0,60% em fevereiro. Descontada a inflação medida pelo IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercados), as aplicações registraram retorno real negativo de 0,39%. Já o dólar, medido pela taxa Ptax, registrou a pior performance dentre as principais métricas de investimentos no mercado de capitais brasileiro, com baixa de 0,73%.

Investimento Fevereiro Real* Janeiro Real**
Ibovespa +1,22% +0,22% -3,94% -4,69%
CDI*** +0,84% -0,16% +0,86% +0,07%
CDB **** +0,91% -0,09% +0,88% +0,09%
Poupança +0,60% -0,39% +0,57% -0,22%
Ouro +5,52% +4,47% -9,39% -10,10%
Dólar Ptax -0,73% -1,71% +0,43% -0,36%
IGP-M +0,79% - +0,79% -

* Deduzida a variação do IGP-M que ficou em 1% em fevereiro de 2011
** Deduzida a variação do IGP-M que ficou em 0,79% em janeiro de 2011
*** Taxa Efetiva Andima
**** Taxa pré 30 dias

Os mercados em fevereiro
Alguns dos elementos que levaram o Ibovespa a uma queda de 3,94% em janeiro ainda estiveram presentes no mercado neste mês. Não só os índices de preços, mas as expectativas do mercado para a inflação seguiram em alta, alimentando o receio de que a alta da Selic dentro do atual ciclo de elevação da taxa seja maior do que o anteriormente pensado ou mesmo que o governo adote novas medidas macroprudenciais de controle da base monetária, a exemplo do visto em dezembro passado. As ações do setor de consumo e as imobiliárias foram as que mais sentiram ao longo do mês o peso desta preocupação do mercado.

Na esfera global, outro emergente que sofre com a pressão inflacionária, a China, anunciou em fevereiro alta no juro e também no recolhimento do compulsório, mas como o mercado já esperava por estes anúncios, o impacto acabou sendo reduzido. No front político, dois eventos mexeram fortemente com o mercado brasileiro ao longo do mês: as discussões em torno do novo patamar do salário mínimo, aprovado em R$ 545, e o anúncio do corte do Orçamento do governo em pouco mais de R$ 50 bilhões.

No mercado internacional, o campo político teve influência ainda maior sobre o mercado financeiro, principalmente no desempenho do petróleo. As manifestações populares em países do norte da África e no Oriente Médio a favor da democracia, onde estão concentrados grandes produtores globais da commodity, elevarão o clima de aversão ao risco.

No Egito, os protestos culminaram com a queda de Hosni Mubarak do poder, e na Líbia o cerco se fecha cada vez mais para o ditador Muamar Gadafi. Dia após dia, o temor de que estes eventos influenciariam no fornecimento de petróleo impulsionava os contratos futuros de petróleo, que veio perder fôlego somente ao final de fevereiro, com declarações de diversas autoridades garantindo suficiência na oferta do produto.

O noticiário corporativo não deixou por desejar e também ocupou lugar de destaque nas manchetes. A temporada de resultados do 4T10 dentre as empresas listadas na Bovespa reservou para este mês de fevereiro a divulgação dos resultados de Petrobras (PETR3, PETR4) e Vale (VALE3, VALE5). A primeira decepcionou um pouco, enquanto a mineradora arrancou elogios de seu balanço com cifras recordes.

Outra blue chip, a Usiminas (USIM3, USIM5) também esteve no radar dos investidores. Após a CSN (CSNA3) elevar sua participação no capital da empresa, cresciam os rumores de que a siderúrgica estaria interessada em ingressar no bloco de controle ou mesmo vir a adquirir a Usiminas, impulsionando estas ações, em especial a USIM3, que abriu forte gap em relação à ação preferencial classe A. Contudo, com a extenção do acordo do bloco de controle da Usiminas, o mercado passou a corrigir a forte valorização destas ações.

Também causou barulho a notícia de que a plataforma Bats Global Markets e a gestora Claritas estão colocando em andamento a intenção de criar uma nova bolsa no Brasil.

Fevereiro também trouxe novas empresas à BM&F Bovespa. O IPO da Arezzo (ARZZ3) foi bastante badalado, com as ações precificadas no teto das estimativas mesmo com a colocação integral do lote suplementar, ao contrário de Queiroz Galvão (QGEP3), Sonae Sierra (SSBR3) e Autometal (AUTM3), cujos papéis saíram abaixo do intervalo de preços estimado pelos coordenadores destas ofertas.

PortX e Cyrela nas pontas do Ibovespa
A única ação, dentre as que compõem a carteira teórica do Ibovespa, a acumular perda de duas casas decimais em fevereiro foi a (
CYRE3). O papel sentiu o peso do receio que a pressão inflacionária gera no mercado, já que alimenta a chance de contenção no crédito via medidas macroprudenciais ou mesmo uma elevação da Selic maior do que o inicialmente estimado, podendo trazer algum esfriamento para o setor.

Além disto, no último dia do mês, o setor imobiliário em geral observou uma queda acentuada em suas ações após redução no orçamento previsto para o programa "Minha Casa, Minha Vida" em 2011. O corte de R$ 5,1 bilhões deve influenciar nas previsões para este ano.

Já as ações da PortX (PRTX3) fecharam o mês de fevereiro como principal destaque positivo dentre os papéis que compõem a carteira teórica do Ibovespa, acumulando alta de 13,82%. O movimento positivo acontece principalmente após a MMX (MMXM3) ter submetido à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) a documentação completa para a entrada no pedido de registro da OPA (Oferta Pública de Aquisição) voluntária, através de permuta, das ações da companhia.

Nenhum comentário: